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    Psicofarmacos8 min de leitura

    Paroxetina: ISRS de escolha para transtorno do pânico e fobia social

    26 Abr 2026 · Dr. João Pedro Castro

    Paroxetina é um ISRS particularmente efetivo para transtornos de ansiedade, especialmente transtorno do pânico e fobia social. Tem início de ação rápido comparado a outros ISRS e demonstrou eficácia superior em ansiedade generalizada em vários estudos clínicos randomizados.

    A meia-vida de paroxetina é de aproximadamente 21 horas, intermediária entre fluoxetina e sertralina. Isso significa acúmulo corporal menos pronunciado que fluoxetina mas mais que sertralina. O estado estável é atingido em aproximadamente 10 dias de tratamento regular.

    Clinicamente, paroxetina é prescrita em doses que variam de 20 a 60 mg diários para depressão e ansiedade, frequentemente com doses mais altas necessárias para TOC e transtorno de pânico. A titulação deve ser lenta — começando com 10-20 mg e aumentando em incrementos de 10 mg a cada semana — para minimizar efeitos colaterais iniciais.

    Um achado importante em estudos é que paroxetina tem perfil de aumento de apetite e ganho de peso mais pronunciado que outros ISRS. Aproximadamente 15-20% dos pacientes ganham peso significativo, o que deve ser discutido durante a prescrição. Monitoramento de peso durante o tratamento é recomendado.

    O efeito colateral mais discutido de paroxetina é sua síndrome de descontinuação. Quando comparada a outros ISRS, paroxetina gera sintomas mais intensos com parada abrupta: tontura, formigamento, ansiedade intensa, insônia e mal-estar. Isso levou à designação de paroxetina como 'ISRS mais difícil de descontinuar'. A redução deve ser muito gradual, idealmente em decrementos de 10% da dose a cada 2-4 semanas.

    Contraversamente, o potencial aumentado de síndrome de descontinuação não significa que paroxetina seja 'viciante' no sentido clássico — não produz euforia ou comportamento de busca de droga, e pacientes que param subitamente não desenvolvem quadro de overdose. É uma reação fisiológica à retirada abrupta, não dependência psicológica.

    Durante a gravidez, paroxetina foi originalmente considerada mais segura que outros ISRS, mas estudos subsequentes sugeriram um possível aumento pequeno em malformações cardíacas quando usada no primeiro trimestre. Isso tornou paroxetina menos preferida em mulheres grávidas — sertralina e fluoxetina são atualmente escolhas de primeira linha nessa população.

    Paroxetina é metabolizada pelo citocromo P450, similarmente a outros ISRS, com interações medicamentosas similares. Combinar com álcool aumenta risco de sedação e comprometimento cognitivo.

    Se você foi diagnosticado com transtorno do pânico ou fobia social e seu psiquiatra escolheu paroxetina, a compreensão de seu perfil de eficácia para ansiedade aguda, necessidade de descontinuação gradual e potencial de sintomas de retirada ajuda no planejamento do tratamento a longo prazo.

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